15 de ago de 2010

Os novos trens voltaram


Foto: Fábio De Nittis - arquivo


Ainda era abril quando postei sobre a chegada dos novos trens da linha 3 - vermelha do Metrô de São Paulo. Nos últimos dias de março, a linha de metrô que liga Barra Funda a Itaquera e que é a mais lotada do sistema enfim ganhou trens modernos e com ar condicionado (maiores informações no post de abril, clicando aqui .

Entretanto, na segunda-feira, dia 2 de agosto, eles foram tirados de circulação. De acordo com informações do Jornal da Tarde de quarta, 4 de agosto, houve problemas em um equipamento chamado de barra de torção, que auxilia o trem a fazer curvas, proporcionando estabilidade. Ou seja, ao fazer a curva, os carros (popularmente conhecido como vagões, mas vagões transportam cargas) do trem se inclinam, mas depois da curva voltam à posição normal graças à barra de torção. Com o defeito ocorrido, os carros do trem H61 (o 3° novo) permaneceram inclinados, fazendo com que a parte lateral da composição atingisse a plataforma ao entrar na estação Sé. De acordo com o Metrô, não houve risco aos usuários. Mas os trens tiveram que ser retirados para que o problema fosse solucionado.

Na quarta passada, dia 11, os trens enfim voltaram a funcionar, para alívio daqueles que se expremem nos trens paulistanos nos horários de pico.

1 de ago de 2010

Jornalismo e a novela do diploma


(Campanha da Federação Nacional dos Jornalistas para a volta da obrigatoriedade do diploma)


No dia 17 de junho de 2009, o Supremo Federal Tribunal derrubou a obrigatoriedade do diploma para exercer a profissão de jornalista no Brasil. Lembro que fiquei sabendo da notícia na manhã seguinte, antes mesmo de amanhecer, em mais um dia cansativo rumo ao cursinho. Aquela notícia não mudaria meus objetivos em relação à profissão: se estava dedicando um ano inteiro de estudo para vestibulares, não era por brincadeira, e sim para ingressar num curso de jornalismo que fosse de qualidade elevada. A notícia da ''queda'' do diploma se espalhou e foi o destaque do dia nos veículos de notícias.

Porém, agora em julho de 2010, um grande passo contra a medida foi dado. Foi criada uma PEC, Proposta de Emenda Constitucional, na Câmara, para reestabelecer a exigência do diploma. No último dia 14, a comissão da Câmara que tratou do assunto aprovou por unanimidade a proposta. Agora, o projeto vai ao plenário para ser debatido e, caso seja aprovado, enfim segue rumo ao Senado. (Maiores informações podem ser encontradas no site da FENAJ, a Federação Nacional dos Jornalistas: http://www.fenaj.org.br/materia.php?id=3128 )

Não é de hoje que grandes empresas na área da comunicação têm contratado pessoas que, muitas vezes, não têm a menor habilidade para redigir adequadamente um texto e que sequer pisaram em uma redação ou em uma universidade antes. Por isso, não é de se estranhar que, para conseguir as informações sobre a PEC, é necessário recorrer ou à Fenaj ou vasculhar mecanismos de buscas dos sites de notícias, pois a notícia passou despercebida pela mídia e certamente foram pouquíssimas as pessoas que tiveram conhecimento dessa informação.

Quanto ao diploma, existem universidades que, infelizmente, só se interessam pelo número de alunos matriculados no curso, e não oferecem um ensino adequado. São incontáveis as notícias que saem têm erros absurdos, seja gramaticais ou mesmo de postura do jornalista em relação ao fato noticiado (pequenos erros gramaticais são até possíveis de compreender, visto que hoje em dia o jornalismo está banalizado e o profissional precisa escrever uma quantidade infinita de texto no menor tempo possível, especialmente na era da internet), o que deixa transparecer a baixa qualidade de muitos cursos de comunicação oferecidos pelo país. Sem diploma, a tendência é piorar a situação, sem falar na remuneração do jornalista, que já é baixa e cairia ainda mais.

Como estudante de jornalismo, sou absolutamente a favor da obrigatoriedade de uma formação universitária para a profissão. Jornalismo não é pegar um teclado e digitar besteiras para formar um texto, como temos visto por aí. Ele atinge uma parcela cada vez maior da população, exige responsabilidade em todos os passos, desde a apuração do fato ocorrido até como ele será contado para as pessoas. Dedicar quatro anos ao estudo da profissão é, acima de tudo, uma questão de ética e compromisso com o jornalismo e com a sociedade.